
Mais de 400 grandes navios estão parados no lado oriental do estreito de Hormuz, enquanto proprietários e operadores de petroleiros aguardam a reabertura mais ampla da via navegável após negociações entre os EUA e o Irã.
Uma análise do Financial Times de dados de satélite da ESA (Agência Espacial Europeia) contabilizou 441 grandes embarcações do porte de petroleiros agrupadas próximas a Sohar e Fujairah, os principais portos no lado oriental do estreito.
Esse acúmulo foi observado por um satélite de radar Sentinel-1, que passou sobre a região por volta das 15h15 (horário de Londres, 11h15 em BrasÃlia) no domingo. Diversas empresas de navegação afirmaram que estão reunindo embarcações em posições próximas ao golfo Pérsico para aproveitar a reabertura total do estreito.
Esse número cresceu significativamente em comparação com abril, quando os EUA iniciaram um bloqueio do estreito.
Embora excepcionalmente alto pelos padrões históricos, o número de navios ainda assim caiu 42 embarcações desde a última passagem do Sentinel-1, cinco dias antes. Operadores de navios aproveitaram na semana passada o aparente aumento na segurança para tentar travessias após os EUA e o Irã anunciarem seu acordo preliminar.
Apesar de concordar em abrir e remover as minas das principais rotas de navegação do estreito, o Irã declarou o estreito fechado novamente no sábado (20), após ataques de Israel ao LÃbano. A passagem do Sentinel-1 não observou tráfego significativo no canal principal do estreito no domingo (21).
Irã e EUA estiveram envolvidos em intensas negociações na SuÃça no domingo e até as primeiras horas da manhã de segunda-feira sobre o formato do acordo final. Um funcionário americano disse que as discussões incluÃram esclarecer algumas das mensagens do Irã sobre o estreito de Hormuz e construir mecanismos de desconflito para garantir que a via navegável permanecesse totalmente aberta.
O Irã sugeriu anteriormente que, após um perÃodo de 60 dias, poderia exigir que os navios pagassem pela passagem pelo estreito de alguma forma, por exemplo, comprando seguro iraniano. Os EUA recusam a adoção da medida.
O aumento nos movimentos na última semana sugere, no entanto, que os operadores de embarcações estão ficando mais confiantes e podem estar dispostos a assumir viagens que antes eram consideradas muito arriscadas, mesmo antes de um acordo ser finalizado.
Quatro petroleiros de GNL (gás natural liquefeito) do Qatar estavam navegando pelo estreito na manhã de segunda-feira, o maior número desde o inÃcio do conflito em 28 de fevereiro.
No sábado, o navio porta-contêineres MSC Qingdao deixou o golfo Pérsico através do estreito por uma rota próxima à costa de Omã. A MSC já teve vários navios alvejados por ataques iranianos e duas de suas embarcações foram tomadas como reféns por membros do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã.
O MSC Qingdao navegou com seu transponder ligado, o que significa que sua localização foi amplamente transmitida. Isso sugere que havia menos preocupações com ataques iranianos desde o anúncio do acordo de paz EUA-Irã na semana passada, apesar dos temores de que o acordo não se manteria.
Petroleiros iranianos também têm navegado mais livremente para dentro e para fora do golfo Pérsico desde que os EUA concordaram em suspender seu bloqueio aos portos e embarcações iranianas na quarta-feira (17).
Imagens de radar têm vantagens significativas sobre imagens ópticas para monitoramento de navios: as imagens podem ser tiradas à noite e não são afetadas por nuvens. O processo também captura navios que não estão transmitindo suas posições.
Os dados, no entanto, permitem apenas estimativas do tamanho das embarcações, o que torna a identificação positiva de navios especÃficos extremamente difÃcil.