
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar opera com volatilidade na sessão desta quinta-feira (25) e oscilava entre altas e baixas. Perto das 11h30, a moeda tinha uma queda de 0,18% , cotada a R$ 5,1925 . Já o Ibovespa , principal índice da bolsa brasileira, subia 0,92% no mesmo horário, aos 172.239 pontos .
▶️ Os novos dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos são o principal destaque desta quinta-feira . Os indicadores devem reforçar a percepção do mercado sobre o futuro das taxas básicas de juros em ambos os países e trazer informações adicionais sobre o cenário econômico à frente.
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, subiu 0,41% em junho . Já nos EUA, o índice PCE, indicador de inflação acompanhado pelo Fed , avançou 4,1% no mês de maio ( veja mais abaixo ).
▶️ Os investidores também seguem atentos aos desdobramentos do cessar-fogo no Oriente Médio. Na véspera, a volta do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz melhorou a perspectiva sobre o mercado internacional de petróleo, levando a commodity para o menor valor desde o início do conflito .
O cenário positivo continuava nesta quinta-feira. Perto das 9h, o barril do Brent, referência internacional, tinha queda de 0,96% , a US$ 73,03 . Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caía 0,85% , para US$ 69,74 .
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
Acumulado da semana: +0,71%;
Acumulado do mês: +3,16%;
Acumulado do ano: -5,23%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +1,29%;
Acumulado do mês: --1,89%;
Acumulado do ano: +5,82%.
Inflação no Brasil e nos EUA
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial do país, subiu 0,41% em junho. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses alcançou 4,80% .
O indicador continua acima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. Para 2026, a meta central de inflação é de 3%, com limite máximo de 4,5%.
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, os preços de Alimentação e bebidas subiram 0,74% no mês e tiveram o maior impacto na inflação, enquanto o grupo de Habitação avançou 0,72%. Juntos, esses dois grupos explicam cerca de dois terços da alta da inflação no período.
Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, destaca que a alta dos alimentos foi puxada principalmente por carnes, pães e outros panificados, leite e derivados e, sobretudo, frutas, legumes e verduras.
“Parte disso é sazonal, mas a alimentação no domicílio tem vindo acima da sazonalidade para o período, ou seja, mais forte do que normalmente se observa nesta época do ano”, disse.
De acordo com o economista, o movimento ainda reflete fatores ligados à oferta e à demanda, além de problemas climáticos pontuais que afetam especialmente a produção de frutas, legumes e verduras.
No caso das carnes, ele afirma que o aumento das exportações para a China também tem contribuído para pressionar os preços no curto prazo.
Veja mais na reportagem abaixo:
Inflação americana
Nos EUA, o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), medida de inflação acompanhada de perto pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano, avançou 4,1% em maio, em linha com as expectativas do mercado. Foi a primeira vez em três anos que o indicador superou a marca de 4%.
Ao desconsiderar os preços de alimentos e energia, que costumam apresentar maior volatilidade, a inflação ficou em 3,4% no acumulado de 12 meses, acima dos 3,3% registrados em abril. Na comparação mensal, o núcleo do indicador avançou 0,3%, repetindo o resultado do mês anterior.
"Nós acreditamos que a inflação continua elevada neste momento, embora possa desacelerar gradualmente ao longo do tempo", afirma Michele Morganti, estrategista sênior de ações da Generali Investments.
O aumento da inflação ocorre em meio à alta dos preços da energia provocada pelo conflito no Oriente Médio e reforça a atenção do banco central americano sobre a evolução dos preços. A meta de inflação do Fed é de 2%.
Na semana passada, a autoridade monetária manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, mas sinalizou que novas altas poderão ser necessárias caso as pressões inflacionárias persistam.
Por outro lado, a queda recente dos preços do petróleo e dados que apontam para uma economia ainda resiliente alimentam a expectativa de que a inflação possa perder força nos próximos meses sem a necessidade de aumentos mais intensos nos juros.
Dados revisados divulgados nesta quinta-feira também mostraram que a economia dos EUA cresceu 2,1% no primeiro trimestre, acima da estimativa anterior, de 1,6%.
Diante disso, Morganti acrescenta que ainda existe o risco de que o Federal Reserve aumente os juros mais adiante neste ano.
Mercados globais
Os principais índices de Wall Street operavam sem direção única nesta quinta-feira, com investidores repercutindo novos indicadores econômicos e a continuidade da queda dos preços do petróleo.
Por volta das 11h30 (de Brasília), o Dow Jones avançava 0,58%. O S&P 500 subia 0,21%, enquanto o Nasdaq recuava 0,26%.
Na Europa , os mercados operavam em alta nesta quinta-feira. O índice pan-europeu STOXX 600 subia 0,96%.
Entre os principais mercados da região, o DAX , de Frankfurt, liderava os ganhos, com alta de 1,42%, seguido pelo FTSE 100, de Londres, que avançava 0,86%, e pelo CAC 40 , de Paris, que registrava valorização de 0,69%.
Na Ásia , a maioria das ações fecharam em alta nesta quinta-feira, impulsionadas pelos papéis do setor de tecnologia.
O CSI 300 , que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen avançou, 1,56%. Já o índice de Xangai, o SSEC , ganhou 0,23%.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng foi na contramão e caiu 1,43%, enquanto o Nikkei , do Japão, subiu 4,6% e o Kospi , da Coréia do Sul, teve uma valorização de 5,42%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Cédulas de dólar — Foto: bearfotos/Freepik