FMI vê economia dos EUA em ritmo sólido e diz que Fed está certo em manter taxa de juros

FMI vê economia dos EUA em ritmo sólido e diz que Fed está certo em manter taxa de juros

A economia dos Estados Unidos tem apresentado um ritmo sólido de crescimento e a inflação deve atingir a meta de 2% do Fed (Federal Reserve) até o final de 2027, afirmou o FMI (Fundo Monetário Internacional) nesta quinta-feira (25).

A porta-voz do FMI Julie Kozack disse em uma entrevista coletiva que a decisão do Fed por manter a taxa básica de juros foi apropriada, e elogiou o forte compromisso do novo presidente da autarquia, Kevin Warsh, com a estabilidade de preços.

"O ritmo de crescimento da economia dos EUA tem sido sólido", disse Kozack, citando os dados divulgados nesta quinta-feira, que revisaram o crescimento do PIB do primeiro trimestre para uma taxa anualizada de 2,1%, acima do 1,6% divulgado anteriormente.

Ela observou que o consumo do governo se recuperou, os investimentos nos EUA estavam fortes e a produtividade do trabalho permaneceu alta, tornando os EUA um caso um tanto atÃpico no cenário mundial.

A inflação permaneceu acima da meta do Fed, mas a expectativa é de que diminua, disse ela.

"Devido a essa dinâmica, acreditamos que o Fed tomou a decisão correta ao deixar a taxa de juros inalterada. Quaisquer outras medidas de polÃtica monetária por parte do Fed deverão ser tomadas com cautela e precisarão ser cuidadosamente calibradas de acordo com os dados que forem surgindo", acrescentou ela.

Energia e commodities

O FMI afirmou que observou uma queda nos preços da energia e das commodities desde o acordo entre os Estados Unidos e o Irã para suspender as hostilidades e reabrir o estreito de Hormuz, mas que levará algum tempo para que os preços e os fluxos comerciais do golfo Pérsico se normalizem.

A porta-voz do FMI Julie Kozack disse que, na próxima atualização de seu relatório "Perspectivas Econômicas Mundiais", em 8 de julho, o Fundo decidirá se continuará com os três cenários de crescimento apresentados em abril, que dependiam dos desfechos da guerra no Irã.

Como o estreito de Hormuz permaneceu fechado em maio e mantendo os preços de referência do petróleo acima de US$ 100 por barril, Kozack havia afirmado que a economia global estava passando da "projeção de referência" mais benigna, que pressupunha um fim rápido do conflito, para um "cenário adverso", com crescimento global de 2,5% para 2026.

DÃvida da Argentina

O FMI está confiante de que a Argentina continuará pagando o que deve ao órgão, mesmo que um relatório de sua própria equipe descreva a capacidade de pagamento como sujeita a riscos excepcionais.

"A Argentina efetuou todos os seus pagamentos ao Fundo, e estamos confiantes de que continuará fazendo-o. Não temos nenhuma preocupação a esse respeito", afirmou Kozack. A Argentina enfrenta pagamentos de dÃvida de quase US$ 23 bilhões (R$ 119,3 bilhões), incluindo ao FMI, em 2027.

Ela destacou o "papel importante" das instituições financeiras internacionais e de outros bancos multilaterais de desenvolvimento no apoio à s estratégias de financiamento de um paÃs.

No mês passado, porém, a equipe técnica do FMI sinalizou "riscos excepcionais" à capacidade de pagamento da Argentina.

"A capacidade da Argentina de honrar suas obrigações perante o Fundo continua sujeita a riscos excepcionais e depende de sua capacidade de fortalecer a cobertura das reservas e recuperar o acesso ao mercado de maneira oportuna e sustentável", escreveu a equipe do FMI em maio.

"O nÃvel baixo de reservas lÃquidas da Argentina continua representando riscos para sua capacidade de pagamento, especialmente considerando as obrigações de dÃvida de curto prazo muito elevadas e a volatilidade potencial antes das eleições presidenciais de 2027."

Terremotos na Venezuela

O FMI também informou que está acompanhando os desdobramentos na Venezuela após dois fortes terremotos atingirem o paÃs âcom receio de que milhares de pessoas tenham morridoâ e que continuará em contato com as autoridades venezuelanas enquanto elas avaliam suas necessidades.

Kozack disse que o órgão não está envolvido na reestruturação da dÃvida anunciada pela Venezuela, mas que permanece em contato com as autoridades locais sobre as perspectivas macroeconômicas do paÃs. Ela afirmou que o FMI está pronto para ajudar na reestruturação da dÃvida, conforme necessário.

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