
A Volkswagen planeja cortar até 100 mil empregos e encerrar a produção em quatro fábricas na Alemanha, em uma aceleração significativa de seus planos de redução de custos, enquanto a maior montadora da Europa busca conter o rápido avanço das rivais chinesas.
O corte significaria a eliminação de quase um em cada seis dos aproximadamente 625 mil postos de trabalho da empresa em todo o mundo, tornando-o um dos maiores programas de demissões da história.
Se concluÃdo, o plano de demissão provavelmente será objeto de duras negociações com os sindicatos e poderia se tornar uma das maiores demissões em massa da história, superando os 74 mil empregos eliminados pela General Motors nos anos 1990 e os 60 mil removidos pela IBM em 1993.
Em nota, a Volkswagen disse que não tem previsão de demissões no Brasil e afirmou que em 2024 realizou contratações para a produção de suas quatro fábricas no paÃs.
"Impulsionamos o desenvolvimento e a produção de veÃculos 100% brasileiros e com alto Ãndice de peças nacionais, valorizando a indústria do Brasil e a geração de empregos no paÃs", disse a empresa, em nota.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e os outros três sindicatos que representam os trabalhadores nas demais plantas da empresa no Brasil confirmaram que não há qualquer comunicação que indique que as informações divulgadas no exterior tenham impacto no paÃs.
Em nota, o sindicato também afirmou que os trabalhadores possuem um acordo com a montadora que garante manutenção de postos de trabalho e cláusulas sociais até 2028.
"O entendimento também estabelece mecanismos negociados, como banco de horas e layoff, para enfrentar eventuais oscilações do mercado ou perÃodos de transição de plataformas, sempre com o objetivo de preservar os empregos", disseram os representantes.
Em março, a montadora já havia divulgado que demitirá 50 mil trabalhadores na Alemanha até o final de 2030 e que queria reduzir sua capacidade de fabricação de automóveis no paÃs em 500 mil unidades.
O plano mais recente, divulgado inicialmente pela revista alemã Manager Magazin, pode levar à eliminação de outros 50 mil postos de trabalho, segundo uma pessoa familiarizada com o tema.
Metas anteriores de corte de empregos na VW foram suavizadas após negociações com representantes dos trabalhadores. A revelação do plano ocorre em uma semana que a empresa divulgou a venda de sua unidade de motores marÃtimos Everllence para a firma norte-americana de private equity Bain por 7,4 bilhões de euros (R$ 43,68 bilhões).
O presidente-executivo Oliver Blume tem buscado reduzir o grupo para focar em seu negócio automotivo principal e deve vender mais ativos para levantar caixa, à medida que a montadora enfrenta concorrência da China e outros mercados.
A VW chegou a um acordo histórico com os sindicatos no final de 2024 para cortar empregos e capacidade na Alemanha, mas a montadora disse que o impacto das tarifas americanas, o conflito no Oriente Médio e a piora da situação na China exigem mais ações.
A montadora já fechou uma unidade de produção em Dresden, no leste da Alemanha. Ela tem buscado um comprador para sua fábrica em Osnabrück, onde a produção deve terminar no próximo ano, e manteve conversas com o fabricante do sistema de defesa antimÃsseis Domo de Ferro de Israel.
A reformulação que veio à tona nesta sexta prevê o encerramento da produção de três fábricas da Volks na Alemanha nas cidades de Emden, Zwickau e Hanover, e uma da Audi em Neckarsulm.
Blume afirmou anteriormente que fechar fábricas completamente não era sua solução preferida e que estava buscando abordagens "inteligentes", como produzir os modelos chineses da Volkswagen nas fábricas ou transferi-las para outras montadoras ou empresas de defesa.
As montadoras europeias foram atingidas pela ascensão das fabricantes chinesas, que responderam por quase um em cada dez veÃculos novos vendidos na região nos primeiros cinco meses do ano, segundo a Acea, associação da indústria automobilÃstica europeia.
"Nunca a situação de risco foi tão alta", afirmou Blume aos acionistas na assembleia anual da VW na semana passada.
A empresa havia estabelecido a meta de economizar 6 bilhões de euros (R$ 43,68 bilhões) por ano até 2030 com as reestruturações e disse que os custos continuam sendo "a área onde temos maior necessidade de ação".
Segundo a Volks, os detalhes do novo plano de cortes devem ser apresentados ao conselho de supervisão da empresa em 9 de julho. "Os assuntos subjacentes são discutidos e aprovados pelos órgãos competentes. Não vamos antecipar esse processo", comunicou a montadora.
Os sindicatos dos trabalhadores da Volks prometeram contestar as demissões em massa. "Caso tais planos sejam levados adiante, nos oporemos a eles com todas as nossas forças", disseram a presidente do conselho de trabalhadores da VW, Daniela Cavallo, a presidente do sindicato IG Metall, Christiane Benner, e o lÃder sindical da Baixa Saxônia, Thorsten Groeger, em um comunicado.
"O que realmente importa é algo completamente diferente: em vez de se envolver em reações cegas e impulsivas, a diretoria deveria finalmente fazer seu trabalho", afirmaram.