
A baixa rentabilidade dos produtores rurais e a taxa de câmbio farão com que o mercado de máquinas agrÃcolas termine 2026 com redução de até 20% nos negócios envolvendo tratores e colheitadeiras.
A avaliação foi feita pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) nesta terça-feira (30), ao anunciar os resultados das vendas nos cinco primeiros meses do ano. A entidade avaliou o Plano Safra, anunciado também nesta terça pelo governo federal, como "continuidade", sem mudanças nem decepção.
De janeiro a maio, as fabricantes de tratores venderam aos usuários finais 16.199 unidades, o que representa queda de 9,5% em comparação aos 17.900 comercializados no mesmo perÃodo do ano passado.
A redução nos negócios envolvendo colheitadeiras foi ainda maior, de 39,2%. Enquanto de janeiro a maio do ano passado foram vendidas ao usuário final 1.719 unidades, neste ano o total foi de 1.045.
Em nenhum mês deste ano foram vendidas mais colheitadeiras em relação ao fluxo mensal de 2025. Em relação aos tratores, só em março deste ano houve mais negócios do que no mesmo mês do ano passado.
"O mercado continua bem ruim, bem difÃcil. Está -21% e a gente não enxerga nenhum gatilho para fazer com que esse mercado melhore. Ou seja, acho que deve terminar entre 15% e 20% em queda neste ano em relação ao passado", afirmou Pedro Estevão, presidente da câmara de máquinas e implementos agrÃcolas da Abimaq.
Segundo ele, nesta quarta-feira haverá reunião da câmara para avaliação do Plano Safra e para a definição da previsão do fechamento de 2026, mas o executivo avalia que o Ãndice ficará dentro desse patamar.
"Talvez fique 15% porque o segundo semestre do ano passado foi muito ruim. Então a gente estará se comparando com um perÃodo que foi bastante fraco."
Conforme Estevão, o mercado está ruim devido à rentabilidade baixa dos agricultores, especialmente os produtores de soja e milho. "Você tem o preço da commodity, que não está tão alto, e a taxa de câmbio, que tem penalizado muito o agricultor."
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou na manhã desta terça o Plano Safra 2026/27, destinando à agricultura empresarial R$ 525,1 bilhões em financiamento, valor ligeiramente superior aos R$ 516 bilhões do plano 2025/26.
Também haverá crédito destinado a produtores familiares, mas a cifra ainda não foi divulgada oficialmente. Conforme o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a soma das duas modalidades ficará em torno de R$ 610 bilhões. A cerimônia de lançamento foi realizada no Palácio do Planalto.
Estevão afirmou que o Plano Safra não teve nenhum avanço significativo e ficou semelhante aos anteriores.
"Ele não teve nenhuma grande mudança, mas também não decepcionou, ou seja, ficou muito parecido com os outros anos. E ele traz um caráter de continuidade [...] Não é bom, mas também não é ruim, está continuando o que vinha sendo feito. O que aconteceu foi que o governo colocou, no caso de investimento, pouco recurso para o Moderfrota, colocou só R$ 5,8 bilhões, e diminuiu juros em 1% em todas as linhas."
Com isso, a avaliação é a de que os recursos anunciados são razoáveis "num ano que não é tão bom". "Um plano safra que é neutro, não aumenta o mercado e nem também diminui, não é má notÃcia para nós."