
O economista-chefe do BCE (Banco Central Europeu), Philip Lane, afirmou nesta terça-feira (30) que os preços do petróleo devem permanecer em nÃveis relativamente elevados por anos.
"Em termos do impulso geral sobre a inflação, o fato de termos, talvez por alguns anos, preços do petróleo acima do nÃvel pré-guerra representa, essencialmente, um impulso de aumento de custos para a economia", afirmou Lane em entrevista à emissora Bloomberg TV.
Ele avaliou que a confiança econômica e empresarial está melhorando em toda a zona do euro, mas permanece abaixo dos nÃveis anteriores à guerra.
Nesta terça, o preço do petróleo está oscilando, chegou a cair mais de 1% e também subiu em torno de 1%, ficando na casa dos US$ 74, ainda acima do nÃvel de US$ 72 que estava antes do inÃcio da guerra no Irã em 28 de fevereiro.
O BCE elevou as taxas de juros no mês passado, e as autoridades estão avaliando se devem dar continuidade a esse aperto monetário nos próximos meses, mesmo que as perspectivas de um acordo de paz no Oriente Médio tenham levado a uma queda nos preços do petróleo desde a decisão sobre os juros de 11 de junho.
Outro movimento já está precificado pelos mercados e continua firmemente em pauta. O presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, reconheceu que os preços da energia caÃram mais rapidamente do que o BCE havia projetado, aliviando algumas pressões sobre os preços.
O cenário mais moderado do BCE previa que os preços do petróleo Brent cairiam para US$ 78 o barril até o final do ano, mas já estão no patamar de US$ 74 e os contratos futuros apontam para novas quedas.
"Tenho que admitir que a queda dos preços da energia, dos preços do petróleo, foi uma surpresa", disse Nagel à emissora de televisão CNBC.
No entanto, tanto Nagel quanto Lane alertaram que as restrições de oferta e a necessidade de reabastecer os estoques de petróleo podem manter os preços relativamente altos por algum tempo.
"O choque nos preços da energia que começou com o conflito no Oriente Médio ainda não acabou, continua presente no sistema. Portanto, espero que as taxas de inflação permaneçam significativamente acima da nossa meta", avaliou Nagel.
O presidente do banco central belga, Pierre Wunsch, por sua vez, disse que os argumentos a favor de outro aumento de juros diminuÃram. "Talvez precisemos de outro aumento âé claro que é isso que o mercado está precificandoâ, mas não tanto quanto pensávamos em junho", comentou à Bloomberg TV.