Julgamento de Luigi Mangione é adiado para janeiro em corte federal

Julgamento de Luigi Mangione é adiado para janeiro em corte federal

Uma juÃza adiou para janeiro o inÃcio do julgamento de Luigi Mangione em um tribunal federal, afirmando que o adiamento era necessário para acomodar seu julgamento estadual, programado para começar em setembro.

A juÃza Margaret Garnett, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos, afirmou que esperava, "talvez com otimismo excessivo", que o julgamento federal de Mangione pudesse começar entre setembro e dezembro deste ano. A magistrada afirmou que seria "simplesmente impossÃvel" que Mangione e seus advogados selecionassem um júri em seu caso federal enquanto ele estivesse no tribunal estadual.

"Não podemos mais esperar para ver o que acontece no caso estadual", disse Garnett.

Mangione, 28, enfrenta processos paralelos em Nova York relacionados ao assassinato do CEO da United Healthcare, Brian Thompson, em 2024.

Em abril, Garnett mudou a data de inÃcio do julgamento federal do inÃcio de setembro para outubro. Ao fazer isso, ela afirmou ter levado em consideração as "questões primordiais" do caso, incluindo o direito de o suspeito participar de forma significativa em todos os aspectos de sua defesa e o interesse público em um julgamento rápido.

Na época, a advogada de Mangione, Karen Friedman Agnifilo, declarou que as datas de inÃcio dos dois julgamentos poderiam ser simultâneos. Friedman Agnifilo afirmou em tribunal que o julgamento estadual deveria durar até seis semanas, incluindo a seleção do júri. Garnett admitiu que consideva adiar o inÃcio do julgamento federal se o caso estadual também fosse adiado.

No mesmo dia em que a juÃza fez o comentário, o caso estadual de Mangione foi adiado de junho para setembro, evidenciando o que Friedman Agnifilo chamou de "cabo de guerra entre dois escritórios de acusação diferentes".

A juÃza disse na segunda-feira (29) que o julgamento federal provavelmente levaria de duas a três semanas e que a seleção do júri começaria efetivamente em 5 de janeiro, após a conclusão do julgamento estadual de Mangione, para garantir que ele tenha a "melhor oportunidade" de um julgamento justo em ambos os tribunais. As alegações iniciais no caso federal estão programadas para começar em 25 de janeiro.

Mangione é acusado de matar Thompson na manhã de 4 de dezembro de 2024. Imagens de câmeras de segurança mostraram um homem de moletom com capuz emergir de entre carros estacionados, apontar uma pistola equipada com silenciador e atirar em Thompson enquanto ele caminhava em direção à entrada de um hotel Hilton no centro de Manhattan.

O assassinato, e as imagens, desencadearam uma caçada ao agressor, que havia fugido do local. Mangione foi preso em um McDonald's em Altoona, Pensilvânia, cinco dias depois, na manhã de 9 de dezembro de 2024. Quando os policiais se aproximaram dele, ele estava sentado com uma mochila ao lado e navegando em um laptop.

Mangione foi indiciado por quatro acusações em seu caso federal, incluindo duas acusações de perseguição, uma infração relacionada a armas de fogo e uma acusação de uso de arma de fogo para cometer assassinato, que pode levar à pena de morte, mas a punição máxima foi rejeitada por Garnett.

Mangione se declarou inocente de todas as acusações estaduais e federais.

Desde a prisão de Mangione, seus apoiadores têm lhe escrito cartas na cadeia do Brooklyn onde ele está detido e feito doações para seu fundo de defesa legal, que arrecadou mais de US$ 1,5 milhão (R$ 7,79 milhões), segundo o site da organização. Eles comparecem em grande número à s suas audiências judiciais, relatando suas observações em blogs e vÃdeos.

O intenso interesse público no caso trouxe à tona como, nos tribunais estaduais de Nova York, pode ser difÃcil para o público ou a imprensa obterem informações, mesmo as mais básicas, sobre um processo.

"Este sistema governamental depende da confiança do público de que está operando de forma justa", afirmou Rebecca Roiphe, ex-promotora assistente que leciona ética jurÃdica e direito penal na Faculdade de Direito de Nova York.

Ela disse que a transparência geralmente tranquiliza o público em relação ao processo e que, "mesmo que não concordem com o resultado, têm fé de que os procedimentos adequados foram seguidos e que essa pessoa teve uma chance justa".

O Supremo Tribunal e outros tribunais afirmaram o direito de acesso público aos processos em casos criminais. Mas no julgamento de Mangione os dados foram colocados em sigilo após a defesa do acusado desistir de alegar que ele sofria de "perturbação emocional extrema" no momento em que cometeu o crime.

Apenas uma seleção de documentos judiciais pode ser encontrada em um cartório no 10º andar do prédio do Tribunal Criminal na Centre Street. Eles estão guardados em cerca de uma dúzia de pastas de papel pardo dentro de uma caixa de papelão etiquetada com o nome "Mangione".

Por US$ 0,10 por página, o público pode encontrar os documentos judiciais. Das aproximadamente 140 entradas listadas até segunda-feira no caso federal de Mangione, cerca de uma dúzia consta como sigilosa.

"A falta de transparência alimenta teorias da conspiração", avaliou Paul Shechtman, advogado em Nova York e ex-promotor que dá aulas na Faculdade de Direito de Yale.

No caso estadual, os advogados de Mangione abordaram parcialmente a falta de acesso a documentos públicos criando um site onde publicam regularmente seus documentos judiciais, as decisões do juiz, trechos das transcrições do tribunal e suas próprias declarações públicas.

O gabinete do procurador distrital de Manhattan disponibiliza regularmente seus próprios documentos do caso à imprensa.

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