
As 44 estatais federais que a União controla diretamente encerraram 2025 com lucro lÃquido agregado de R$ 169,4 bilhões, um aumento de 38% em relação a 2024, já descontada a inflação. Os dados foram publicados no relatório de desempenho divulgado nesta quinta-feira (2) pelo MGI (Ministério da Gestão e Inovação).
Três empresas, Petrobras, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Banco do Brasil, respondem por 90,9% do lucro lÃquido agregado das 44.
No balanço entre dividendos e juros sobre capital próprio, de um lado, menos subvenções e adiantamento para aumentos de capital, de outro, o retorno para o Estado em 2025 foi de R$ 13,1 bilhões.
Além disso, as estatais também pagam tributos. No ano passado, 5,8% da arrecadação veio de impostos, taxas e contribuições das estatais federais, especialmente da Petrobras.
Apesar do crescimento do lucro, o montante pago em dividendos e juros sobre capital próprio (ou seja, dinheiro que vai para os cofres públicos e outros acionistas) caiu 44,8%.
Os Correios fecharam 2025 com prejuÃzo lÃquido de R$ 8,46 bilhões, quase quatro vezes o prejuÃzo de R$ 2,45 bilhões registrado em 2024. A empresa tem patrimônio lÃquido negativo de R$ 13,16 bilhões, e o valor já era R$ 5,09 bilhões negativo no ano anterior.
O faturamento caiu 11,4%, para R$ 17,3 bilhões. A empresa não pagou nenhum dividendo à União em 2025.
Das 44 estatais de controle direto, 17 são classificadas como dependentes, ou seja, precisam de repasses do orçamento geral da União para custear suas atividades. Em 2025, esses repasses somaram R$ 30,9 bilhões.
A empresa que mais precisou de repasses foi a HU Brasil (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), responsável pela administração de hospitais universitários federais, com R$ 13,7 bilhões.
A Ceitec, de semicondutores, com 105 funcionários, faturou R$ 7,5 milhões em 2025 e precisou de R$ 68,8 milhões em recursos do Tesouro, entre subvenção e aporte de capital. A empresa fechou o ano com prejuÃzo de R$ 17,3 milhões.
A CBTU, de trens urbanos no Nordeste, recebeu R$ 1,38 bilhão do Tesouro em 2025 e acumulou prejuÃzo de R$ 426,4 milhões.
A Trensurb faturou R$ 107,2 milhões e recebeu R$ 420,7 milhões em recursos do Tesouro e fechou no vermelho pelo segundo ano seguido.
O relatório do MGI descreve o resultado contábil (receita e a despesa no momento em que o fato financeiro ocorre, mesmo sem entrada ou saÃda de dinheiro) das estatais, enquanto um acompanhamento separado do Banco Central observa o resultado primário (saldo entre dinheiro que entra e sai da empresa).
Entre as 20 estatais acompanhadas pelo BC, 9 tiveram déficit primário, mesmo estando entre as que deram lucro contábil no ano.