Há dinheiro e demanda para resolver gargalos de transmissão e armazenamento de renováveis no Ceará, diz BNB

Há dinheiro e demanda para resolver gargalos de transmissão e armazenamento de renováveis no Ceará, diz BNB

O BNB (Banco do Nordeste) avalia que a expansão da energia renovável no Ceará não esbarra em falta de crédito, mas em gargalos técnicos de transmissão e na necessidade de armazenamento para lidar com a intermitência de fontes eólica e solar.

"A gente não tem gargalo, a gente tem dinheiro", afirmou a superintendente estadual do BNB no Ceará, Eliane Brasil, à coluna durante o Cocal 2026, congresso da indústria de eventos e turismo, realizada em Fortaleza.

Segundo ela, o banco já financia projetos de transmissão para destravar a produção de energia e oferece linha de crédito subsidiada especÃfica para armazenamento. São as BESS (sigla em inglês para sistemas de baterias para armazenamento), usadas para equalizar a oferta e a captação de energia ao longo do dia.

A avaliação da superintendente é reforçada pela resposta do mercado a um edital lançado no fim do ano passado: a "Chamada Nordeste", parceria entre BNB, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Finep e Sudene voltada a projetos de armazenamento, transmissão, biotecnologia e fármacos, previa captar R$ 2 bilhões em propostas e recebeu R$ 13 bilhões.

A demanda por energia deve crescer com a chegada de grandes projetos ao Ceará, como o data center anunciado pela ByteDance (dona do TikTok) na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do estado, a ser construÃdo pela Omnia, do grupo Pátria. Centrais de dados para operação de IA (inteligência artificial) consomem quantidades de energia muito maiores do que terminais de outros tipos, como os usados para operar sistemas em nuvem.

Segundo Eliane Brasil, o suprimento energético desses empreendimentos já está equacionado por parques eólicos e solares construÃdos pela Casa dos Ventos, e o banco tem atuado para viabilizar essa articulação entre geração e demanda âembora não financie diretamente os grandes projetos: "os tickets são imensos, não dá pra eu financiar. Mas queremos participar", disse.

O banco também citou compromisso com o ONS (Operador Nacional do Sistema) e exigência de planos de descarbonização por parte dos investidores que buscam se instalar no complexo portuário do Pecém, área que o governo estadual e o banco estatal tentam transformar em polo industrial.

Eliane Brasil também defendeu que o mercado financeiro, hoje concentrado em São Paulo, tem a ganhar ao olhar para o Ceará. Ela citou o "Ceará Day", evento realizado pela superintendência em 20 de maio, com a presença do presidente do BNB e ex-governador de Pernambuco, Paulo Câmara, que reuniu 130 empresários de 80 grupos econômicos.

Do total, 28 grupos apresentaram propostas de financiamento, somando R$ 18 bilhões captados no mesmo dia, segundo a superintendente. Como argumento de atração, ela citou o diferencial entre a Selic, em 14,25%, e as taxas subsidiadas do FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste), somadas a incentivos fiscais estaduais para quem se instala no semiárido ou na ZPE.

A superintendente admite que a reforma tributária pode reduzir parte da atratividade fiscal do Ceará para novos investimentos, mas afirma que o estado já trabalha para compensar essa perda.

Segundo ela, o FNE está garantido no novo modelo e a reforma deve criar um fundo de desenvolvimento complementar, cujo funcionamento ainda não foi definido. "Ainda teremos dinheiro", disse.

A repórter viajou a convite da organização da Cocal 2026.

← Economy