Morre Charles Townsend, ex-presidente da dona das revistas Vogue e Vanity Fair

Morre Charles Townsend, ex-presidente da dona das revistas Vogue e Vanity Fair

O executivo Charles H. Townsend, que presidiu a Condé Nast, empresa controladora de revistas como Vogue, Vanity Fair e The New Yorker, morreu aos 82 anos, em Vero Beach, na Flórida (EUA). Ele faleceu em 11 de junho devido a uma sepse, segundo a sua filha Kathryn Townsend Simpson.

Townsend tornou-se diretor-executivo da Condé Nast em 2004, quando suas principais revistas vinham repletas de anúncios e gastavam generosamente com seus editores e escritores. Quando ele se aposentou da empresa 12 anos depois, a transformação digital estava em pleno andamento e as receitas de publicidade enfrentavam forte declÃnio âmás notÃcias para uma empresa que, em 2010, obtinha cerca de 70% de seus lucros lÃquidos com publicidade.

Sob o comando de Townsend, a Condé Nast foi forçada a fazer cortes grandes e pequenos. TÃtulos como Gourmet, Details e Lucky foram encerrados. E regalias como bebidas sofisticadas nas geladeiras do escritório desapareceram.

"Vocês não precisam disso!", declarou Townsend ao The New York Observer em 2009, após uma rodada de cortes no orçamento. "Vocês não precisam da Orangina!"

Mas ele permaneceu um defensor obstinado do impresso. "Nosso negócio de impressos, mesmo no pior momento, continua a crescer", afirmou Townsend em 2012, "e as margens são mais acentuadas e as margens de lucro bruto são de dar água na boca. Quando esta economia se recuperar, o negócio de impressos vai pegar fogo".

Essa previsão não se concretizou. O impresso continuou a diminuir, e o aumento da receita na esfera digital lutou para compensar as perdas. Há três meses, a empresa fechou mais um tÃtulo, Self, mas disse que seu negócio geral era lucrativo.

"Provavelmente sentÃamos que estávamos mais protegidos da internet do que realmente estávamos", comentou Graydon Carter, editor da Vanity Fair de 1992 a 2017. "Parte de ser um lÃder é dar a interpretação mais positiva possÃvel a uma situação realmente ruim".

No final de 2015, Townsend deixou o cargo de CEO, sendo sucedido por Robert A. Sauerberg Jr., tornando-se presidente do conselho da Condé Nast. Em 2016, ele deixou a empresa completamente.

"Ele sentia que seu mundo era o mundo do impresso", afirmou Simpson. "Quando ele viu que o cenário estava mudando, disse que era hora de outra pessoa assumir o comando", recordou a filha.

Townsend havia ascendido na alta administração da Condé Nast âsendo vice-presidente executivo e diretor de operações antes de ser nomeado CEOâ com base em sua gestão nos anos 1990 da Glamour, uma revista de moda que havia sido descrita na Fortune em 1998 como a "vaca leiteira" da empresa.

Aquele artigo da Fortune, de Joe Nocera e Peter Elkind, retratava a Condé Nast, de propriedade da famÃlia Newhouse, como tanto perdulária quanto não lucrativa sob seu extravagante CEO, Steven T. Florio.

A Glamour se destacava como uma exceção, e Townsend, seu publisher, era visto como um avatar de prudência e cautela nos gastos âo substituto ideal para Florio.

"Foi Chuck quem realmente disse: 'Precisamos colocar a situação financeira da empresa, a prestação de contas, sob controle'", recordou Maurie Perl, executiva de relações públicas da Condé Nast por muitos anos. "Chuck realmente começou a fazer as pessoas andarem na linha. Ele tinha uma mão muito firme."

Charles Howland Townsend nasceu em Drexel Hills, na Pensilvânia (EUA), em 24 de março de 1944, sendo o mais velho de três filhos de John Crocker Townsend, que era controller na Burroughs Corp., fabricante de equipamentos empresariais, e Ann Howland Townsend.

Ele cresceu principalmente em Chestertown, na costa leste de Maryland, onde adquiriu um amor precoce pela água e uma paixão vitalÃcia por navegação. Ele serviu como comodoro do New York Yacht Club em 2007-08.

Townsend se formou em 1966 pela Western Michigan University, onde se especializou em biologia. Trabalhou para a construtora de barcos Century Boats, depois se mudou para Miami para trabalhar no departamento de marketing da Bertram Yachts. Na Flórida, fundou uma agência de publicidade bem-sucedida que vendeu em 1975 para a Hearst, que o tornou publisher da revista Motor Boating & Sailing.

Na Hearst, ele passou a ser publisher da revista Sports Afield, depois vice-presidente, publisher de grupo e vice-presidente executivo e gerente geral da Hearst Books. De 1986 a 1994, quando se mudou para a Condé Nast, Townsend foi presidente e CEO do grupo de revistas femininas da The New York Times Co., que publicava tÃtulos como Family Circle e McCall's. A empresa vendeu o grupo em 1994.

Além de sua filha Kathryn, ele deixa outra filha, Christina Jones; sua esposa, Jill (Roosa) Townsend, dois irmãos (William Townsend e Susan Townsend) e quatro netos. Ele se casou duas vezes, mas ambos terminaram em divórcio.

Refinado e astuto, com experiência e amor por revistas, Townsend "poderia ter sido um administrador ideal para a Condé" em uma era anterior, escreveu o jornalista do New York Times Michael Grynbaum em seu livro de 2025 "Empire of the Elite: Inside Condé Nast, the Media Dynasty That Reshaped America".

Mas, acrescentou Grynbaum, ele "teve o infortúnio de alcançar o cume justamente quando a montanha começou a derreter".

Townsend "entrou na empresa em um momento muito difÃcil", disse Carter, "e manteve o navio no rumo. Adorei trabalhar com ele. Ele era tão admirado pelos editores quanto pelos publishers."

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