Petróleo atinge patamar pré-guerra e fecha a semana perto da estabilidade; tráfego em Hormuz aumenta

Petróleo atinge patamar pré-guerra e fecha a semana perto da estabilidade; tráfego em Hormuz aumenta

O preço do petróleo se fixou no patamar que tinha antes da guerra do Irã após mais de quatro meses de conflito, em meio ao cessar-fogo de 60 dias entre Estados Unidos e Irã, que negociam um acordo definitivo de paz.

O barril Brent, referência mundial, fechou a US$ 71,57 na última quarta-feira (1°), marcando a primeira vez que a cotação ficou abaixo de US$ 72,48, preço de encerramento em 26 de fevereiro, dois dias antes do inÃcio dos ataques de EUA e Israel contra o Irã.

A cotação não fechou acima da marca de US$ 72 desde quarta. Nesta sexta-feira (3), commodity encerrou cotada a US$ 71,94, com alta de 0,19%. No acumulado da semana, a commodity ficou perto da estabilidade, registrando queda de 0,07%.

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, fechou o dia a US$ 68,78, alta de 0,13%. O valor também é o menor desde o dia 26 de fevereiro. Na semana, o WTI acumulou queda de 0,65%.

Durante a guerra, o petróleo chegou a subir mais de 50% e alcançou US$ 119,46 em 9 de março. Naquele momento, o Irã falava que o preço poderia chegar a US$ 200. "Se preparem para o petróleo a US$ 200 o barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram", afirmara o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari.

A preocupação aumentava devido ao bloqueio no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás. Durante os quatro meses seguintes, o petróleo chegou a superar US$ 100 em vários momentos, conforme as tensões aumentavam ou diminuÃam no Oriente Médio com os bombardeios ao território iraniano, israelense e a paÃses aliados dos EUA como Kuwait, Bahrein, Omã, Emirados Ãrabes Unidos, Iraque e Arábia Saudita.

Americanos e iranianos passaram a negociar cessar-fogo e discutir a retomada do tráfego em Hormuz a partir da segunda metade de abril. Em 17 de junho, EUA e Irã anunciaram um acordo provisório que estabelecia cessar-fogo por 60 dias e a liberação da navegação pelo estreito de Hormuz. Desde então, o preço do Brent não ultrapassou a marca de US$ 83.

A queda foi impulsionada pela retomada do tráfego em Hormuz, que animou os negociadores. O número de trânsitos para dentro e fora do golfo Pérsico, incluindo "viagens às escuras", chegou a um total de 258 na semana entre 22 e 28 de junho, depois do acordo temporário. O número foi quase seis vezes maior do que as 41 viagens na primeira semana da crise, em março, segundo dados da Lloyd's List Intelligence.

Esses números levam mais tempo para serem rastreados, pois os navios desligam seus sinais de GPS para evitar detecção.

O aumento do tráfego é um sinal de que as empresas de transporte marÃtimo acreditam que conseguirão passar com segurança pela via navegável disputada sem serem atingidos. Os números ainda estão muito abaixo do tráfego anterior à guerra (média de 140 por dia), mas mostram o desejo dos operadores de aproveitar a relativa paz para retirar navios que ficaram presos no Golfo, ou para tirar proveito das altas taxas de frete.

"à realmente difÃcil dizer se é confiança crescente ou se são pessoas dispostas a correr riscos", afirmou Jakob Larsen, diretor de segurança da maior associação de armadores, a BIMCO. "A decisão de uma empresa realmente envolve o risco de segurança, mas também o quanto dói ter um navio preso. Em algum momento, os armadores estão dispostos a assumir esse risco extra para retirar seu navio", apontou.

As duas principais rotas de navegação pelo estreito foram minadas pelo Irã, com a OMI (Organização MarÃtima Internacional) estimando na semana passada que cerca de 80 minas precisarão ser removidas antes que a via navegável possa ser usada com segurança.

Em vez disso, os navios estão viajando pela via navegável por uma rota estabelecida pelo Irã que requer autorização do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã, ou por uma rota sul que margeia a costa de Omã. A maioria dos navios que fizeram a viagem para dentro e fora do Golfo na última semana foram petroleiros, de acordo com os dados da Lloyd's List.

A situação levou o Citi a projetar que o preço do petróleo pode cair para até US$ 60 o barril até o final deste ano. "Esperamos que o memorando de entendimento seja mantido, não porque a confiança tenha surgido de repente, mas porque os incentivos para rompê-lo são fracos para ambos os lados", escreveram os analistas.

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