Agronegócio mantém ritmo recorde de exportações no 1º semestre

Agronegócio mantém ritmo recorde de exportações no 1º semestre

Apesar do cenário difÃcil no mercado externo, principalmente por problemas geopolÃticos, as exportações do agronegócio do Brasil somaram US$ 86,5 bilhões no primeiro semestre, um recorde para o perÃodo e 6% acima das de 2025. As importações, com o aumento dos preços dos insumos, principalmente dos fertilizantes, subiram para US$ 17,2 bilhões, 3% a mais.

Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), que aponta boa evolução das exportações de soja, carnes e milho, mas recuo nas de café e de açúcar. Boa parte das receitas obtidas pelo Brasil no mercado externo vem do complexo soja (grão, farelo e óleo). De janeiro a junho, foram US$ 34,9 bilhões.

A soja, com a produção recorde deste ano, lidera as exportações. No primeiro semestre, o paÃs colocou 69,6 milhões de toneladas da oleaginosa no mercado externo, com receitas de US$ 29,1 bilhões. Houve aumento também nas exportações de farelo e de óleo, uma vez que o paÃs vem obtendo um patamar recorde de esmagamento interno, principalmente para atender o mercado de biodiesel.

As carnes, com receitas de US$ 17,4 bilhões no ano e aumento de 26%, continuam sendo o grande destaque. O volume exportado atingiu 5,43 milhões de toneladas, somando as três principais proteÃnas (carnes bovina, suÃna e de frango).

Todas as três chegaram a patamares recordes de exportação neste ano, mas a bovina, com a demanda chinesa, já soma US$ 9,9 bilhões. Ao contrário do ano passado, quando as tarifas dos Estados Unidos puseram um freio na entrada de carne bovina brasileira por lá, o Brasil voltou ao mercado americano e aumentou as vendas para a China.

Nos próximos meses, a carne brasileira ficará mais cara para os chineses, devido ao preenchimento da cota de 1,1 milhão de toneladas sem a tarifa extra de 55%. Essa taxa agora será somada aos 12% já existentes. Além disso, os europeus prometem barrar a carne bovina e a de frango a partir de setembro.

No mês passado, a União Europeia importou 28 mil toneladas de carne de frango e 8.194 de carne bovina. Os volumes são pequenos em relação aos principais mercados, mas os preços pagos pelos europeus são maiores. Em junho, os europeus pagaram uma média de US$ 9.200 por tonelada de carne bovina. Os chineses, US$ 6.682.

As exportações de milho, embora o perÃodo de maior venda externa seja no segundo semestre, aumentaram 21% de janeiro a junho, atingindo 1,79 milhão de toneladas. O Brasil, no entanto, terá dificuldades nas exportações dos próximos meses, devido à concorrência do cereal dos Estados Unidos e da Argentina, paÃses que tiveram recorde de produção.

Entre as quedas de receitas, estão dois dos importantes produtos da balança comercial brasileira: café e açúcar. Ambos tinham valores elevados devido à menor oferta nos anos recentes. O quadro de oferta mundial se recompõe, e os preços são menores. Isso se reflete na balança comercial brasileira, uma vez que o paÃs é lÃder mundial nesses dois produtos.

As importações brasileiras de produtos relacionados ao agronegócio mantiveram alta, devido ao aumento de preços dos principais insumos que o paÃs compra. Entre eles, os fertilizantes. O paÃs adquiriu 18,3 milhões de toneladas de janeiro a junho desse insumo, 6% a menos do que no ano passado, mas gastou US$ 7 bilhões, 9% a mais. Já as importações de agrotóxicos recuaram para 7,5% em volume e 14% em despesas. O paÃs importou 333 mil toneladas no ano.

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