
A companhia aérea Air Canada anunciou o holandês Anko Van der Werff como novo CEO da empresa nesta quarta-feira (8). Ele substitui Michael Rousseau, que anunciou aposentadoria após turbulência polÃtica.
Van der Werff, atual CEO da SAS (Scandinavian Airlines), assumirá o cargo até o final de janeiro de 2027. Ele foi escolhido após "uma ampla busca global", que considerou diversos critérios de desempenho, incluindo a capacidade de se comunicar em francês, disse a Air Canada.
Além de CEO, ele será presidente da empresa e integrará o conselho de administração. Em comunicado, afirmou estar "ciente da importância de atender os canadenses nas duas lÃnguas oficiais".
A Air Canada tem sede em Montreal, na provÃncia de Quebec, e é obrigada por lei a oferecer serviços em inglês e francês.
Rousseau, o ex-CEO, foi alvo de crÃticas após divulgar apenas em inglês um vÃdeo de condolências à s vÃtimas de um acidente aéreo fatal ocorrido em março entre um avião da Air Canada e um caminhão de bombeiros no aeroporto LaGuardia, em Nova York.
Depois da publicação, a Assembleia Nacional de Quebec aprovou uma moção pedindo a renúncia do ex-CEO.
O Canadá tem duas lÃnguas oficiais âinglês e francêsâ e um dos pilotos mortos no acidente era da provÃncia de Quebec, que tem o francês como idioma principal.
Após a repercussão, Rousseau pediu desculpas pela mensagem divulgada apenas em inglês e lamentou não conseguir se expressar em francês "apesar de muitos anos de aulas".
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, cujo domÃnio do francês também foi tema de debate quando entrou para a polÃtica no ano passado, afirmou na época ter ficado "decepcionado" com a mensagem de Rousseau apenas em uma lÃngua.
O episódio evidenciou as tensões persistentes em torno do papel do francês em um paÃs onde a maioria fala inglês.
Segundo o censo de 2021, menos de um quarto da população canadense (22%) tem o francês como primeira lÃngua, enquanto 76% têm o inglês. Em Quebec, 84% da população declara o francês como lÃngua materna.
"Como europeu, entendo a importância da lÃngua para a identidade", disse Van der Werff em uma mensagem separada enviada aos funcionários da companhia. O presidente acrescentou que teve "a sorte, como muitos holandeses de sua geração, de aprender francês na escola".