
No artigo anterior apresentei a Regra dos 300, 240, 200 e 150, uma forma simples de estimar qual patrimônio financeiro é necessário para produzir determinada renda. Após essa definição, a próxima dúvida é: "Agora que sei onde preciso chegar, como descubro quanto devo investir por mês?"
Essa, na verdade, é a pergunta que transforma um objetivo em um plano. Descobrir o patrimônio necessário foi apenas o primeiro passo. A partir dele, o desafio deixa de ser "quanto preciso ter?" e passa a ser "como construir esse patrimônio ao longo da vida?".
Ao contrário do que muitos imaginam, essa resposta não depende de adivinhações sobre o mercado. Ela depende de apenas quatro variáveis.
A primeira é o patrimônio financeiro que você já possui. Quanto maior for o ponto de partida, menor será o esforço necessário para alcançar o objetivo.
A segunda é o prazo. Essa talvez seja a variável mais pessoal de todas. Algumas pessoas desejam conquistar a independência financeira aos cinquenta anos. Outras aceitam trabalhar até os sessenta e cinco. Quanto mais tempo houver pela frente, menor tende a ser o esforço mensal para atingir a mesma meta.
A terceira variável é a rentabilidade esperada. No artigo anterior, ela foi definida pelo perfil de risco escolhido para a carteira. Estratégias mais conservadoras trabalham com retornos reais menores. Estratégias mais arrojadas buscam retornos maiores, aceitando oscilações mais intensas ao longo do caminho.
Perceba que, nesse momento, três das quatro variáveis já estão definidas.
Você já sabe qual patrimônio deseja construir. Já conhece o patrimônio que possui hoje. Já definiu o prazo para atingir esse objetivo. Também escolheu a expectativa de retorno compatÃvel com seu perfil de risco. Resta apenas uma incógnita: quanto deve investir todos os meses?
à justamente essa variável que transforma um patrimônio desejado em uma meta possÃvel. Curiosamente, ela também é aquela sobre a qual o investidor exerce maior controle. Afinal, não controlamos o comportamento dos mercados. Mas podemos controlar, em grande medida, quanto da nossa renda será destinado à construção do patrimônio.
à por isso que tantas pessoas fracassam em seus objetivos financeiros. A maioria investe aquilo que sobra no fim do mês. Quem faz planejamento financeiro faz exatamente o contrário: primeiro calcula quanto precisa investir para alcançar o objetivo. Depois organiza o orçamento para que esse aporte aconteça todos os meses.
Essa mudança de lógica parece pequena, mas produz consequências enormes ao longo das décadas.
Outro aspecto importante é que o aporte periódico funciona como o principal mecanismo de ajuste do planejamento. Se, ao longo dos anos, a rentabilidade ficar abaixo daquela projetada, o plano poderá ser recalibrado por meio de aportes maiores, de um prazo mais longo ou até da revisão da renda futura desejada. Se os investimentos surpreenderem positivamente, o investidor poderá antecipar seus objetivos, reduzir o esforço mensal ou simplesmente construir um patrimônio maior e, consequentemente, viver com uma renda maior no futuro.
Para cálculo do valor do aporte mensal, bem como dos passos do artigo anterior, você pode usar o site que desenvolvi exclusivo para esse cálculo neste link.
Perceba que, nessa equação, a rentabilidade é importante, mas não é a única protagonista. O sucesso do planejamento depende do equilÃbrio entre patrimônio inicial, prazo, retorno esperado e disciplina de poupar.
No fim, a independência financeira não nasce quando encontramos o investimento perfeito. Ela começa quando transformamos um sonho em uma equação possÃvel e assumimos o compromisso de financiá-la todos os meses.
Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor.