Nova York se torna o primeiro estado dos EUA a suspender desenvolvimento de data centers

Nova York se torna o primeiro estado dos EUA a suspender desenvolvimento de data centers

Nova York está prestes a se tornar o primeiro estado dos Estados Unidos a impor uma proibição de um ano na construção de novos data centers. A decisão ocorre em meio a crescimento da reação contrária de americanos à infraestrutura necessária para alimentar o boom da inteligência artificial.

O estado de Nova York proibirá data centers com mais de 50 megawatts pelo perÃodo de um ano, interrompendo novas solicitações de licenças e pausando as pendentes. Um data center grande tÃpico tem pelo menos 100 MW.

Em um vÃdeo publicado no X (ex-Twitter), a governadora Kathy Hochul disse que a "escala e velocidade do desenvolvimento colocaram uma demanda sem precedentes sobre os recursos de energia e água e ameaçam elevar os custos de serviços públicos. Antes que isso vá mais longe, preciso de salvaguardas para proteger os nova-iorquinos".

Durante o perÃodo da proibição, autoridades estaduais desenvolverão medidas para proteger os consumidores de serviços públicos e avaliar como os projetos afetam o meio ambiente.

Hochul, que concorrerá à reeleição como governadora em novembro após cumprir seu primeiro mandato completo, assinará um decreto sobre a moratória nesta terça-feira (14). A ordem é um meio-termo em relação a um projeto de lei mais rigoroso aprovado pela legislatura estadual de Nova York que teria interrompido o desenvolvimento de instalações acima de 20 MW.

Atualmente, há 12 gigawatts de solicitações de data centers pendentes na fila do operador da rede de Nova York, segundo o New York Independent System Operator. A quantidade é aproximadamente equivalente ao pico recorde de demanda de eletricidade de Portugal.

Nova York abriga 133 data centers, segundo o Data Center Map, em comparação com 637 na VirgÃnia e 504 no Texas. Os centros existentes não seriam afetados pela decisão.

A moratória inédita ocorre em meio a uma crescente reação contrária aos data centers e seu potencial impacto nos custos de eletricidade e abastecimento de água nas comunidades próximas aos empreendimentos.

PolÃticos e reguladores em todo o paÃs estão enfrentando o desafio de como gerenciar o crescimento acelerado do setor. Segundo dados da BloombergNEF, a demanda de energia dos data centers nos EUA saltará de 34,7 gigawatts em 2024 para 106 GW até 2035.

Quatorze estados além de Nova York estão considerando proibir data centers, incluindo Geórgia, Michigan e Pensilvânia.

Uma legislação que teria imposto uma moratória no Maine foi vetada pela governadora Janet Mills, que está deixando o cargo. Diversas proibições locais por cidades e condados foram implementadas em todo o paÃs.

A VirgÃnia, que abriga a maior concentração de data centers do mundo, implementou recentemente um novo imposto sobre o uso de energia das instalações.

Na segunda-feira (13), a Casa Branca disse que adicionaria empresas de serviços públicos e desenvolvedores de data centers ao seu Compromisso de Proteção ao Consumidor de Energia, que já inclui gigantes da tecnologia como Amazon, Google, Meta, Microsoft, OpenAI, Oracle e xAI, no qual eles se comprometeram a cobrir o custo da infraestrutura de energia necessária para data centers.

"Nunca quero que os americanos paguem contas de eletricidade mais altas por causa de data centers", disse Donald Trump em janeiro.

Uma pesquisa realizada pela consultoria de estratégia Public First descobriu que os americanos eram muito mais propensos a se opor à construção de data centers do que outras nações, com apenas 26% apoiando seu desenvolvimento.

No primeiro trimestre de 2026, pelo menos 75 projetos no valor de US$ 130 bilhões foram interrompidos por oposição local.

A QTS, da Blackstone, foi recentemente forçada a abandonar um vasto projeto de data center no condado de Prince William, na VirgÃnia.

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