
A suspensão de exportações de diesel russo e a retomada do conflito entre Estados Unidos e Irã devem voltar a pressionar o preço do combustÃvel no paÃs após semanas consecutivas de queda, dizem executivos do setor.
A pressão ocorre à s vésperas do perÃodo de maior consumo de diesel no Brasil, com a demanda para escoamento da safra de grãos e para a produção de bens para o Natal. A suspensão determinada por Vladimir Putin é temporária, mas o mercado teme efeitos mais duradouros.
Segundo dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), a Rússia permaneceu como maior fornecedora de diesel do Brasil no primeiro semestre, mas perdeu mercado para os Estados Unidos no fim do perÃodo.
A opção dos importadores pelo produto da Rússia ajudou a manter o preço nas bombas mais baixo: na média do primeiro semestre, segundo o Mdic, cada quilo de diesel russo importado pelo Brasil custou US$ 0,03 (R$ 0,15) menos do que o diesel americano.
Os dados oficiais de julho ainda não foram divulgados, mas a Abicom (Associação Brasileira de Importadores de CombustÃveis) estima que as importações russas representaram apenas 13% das compras brasileiras, com os Estados Unidos assumindo a dianteira, com 82%.
Para agosto, as projeções indicam que, até agora, apenas 10% do diesel comprado por importadores brasileiros venham da Rússia, com fornecedores do Oriente Médio disputando a liderança do fornecimento com os Estados Unidos.
O presidente da Abicom, Sérgio Araújo, diz que o volume comprado para agosto ainda é pequeno e os dados podem mudar, mas que não há hoje oferta de diesel da Rússia. "As compras estão sendo feitas no Golfo com um preço um pouco superior", afirma.
"O diesel russo não existe mais. Está banido", diz Ramon Reis, da importadora Nimofast, que cresceu nos últimos anos importando combustÃveis da Rússia. "Estamos vendo novas fontes, mas hoje não tem arbitragem nem com subsÃdio."
Ele se refere à falta de competitividade das importações após a retomada da guerra no Irã e a consequente escalada das cotações internacionais do petróleo, que subiram mais de 10% nos primeiros dias após o reinÃcio dos ataques.
A alta começou pouco após retirada de parte do subsÃdio dado pelo governo federal ao combustÃvel. Na abertura do mercado desta quarta-feira (15), o preço médio do diesel no paÃs custava R$ 1,81 por litro a menos do que a paridade de importação medida pela Abicom.
Na Petrobras, a diferença era maior: R$ 2,02 por litro. Produtores e importadores têm direito a uma subvenção de R$ 1,12 por litro, o que compensa apenas parcialmente a perda.
Principal beneficiária dos subsÃdios do governo, a estatal reduziu o preço do diesel em suas refinarias quando o subsÃdio foi retirado, no fim de junho, para evitar impacto nas bombas da decisão do governo. Maior refinadora privada do paÃs, a Acelen seguiu a estatal dias depois.
Nenhuma das duas decidiu ainda acompanhar a alta recente do petróleo. A Acelen disse em nota que seus preços "seguem critérios de mercado que levam em consideração variáveis como custo do petróleo, que é adquirido a preços internacionais; câmbio e frete". A Petrobras não respondeu o pedido de entrevista.
Nas bombas, o preço do diesel vem caindo há 13 semanas consecutivas, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e BiocombustÃveis). Na semana passada, o litro do diesel S-10 era vendido, em média a R$ 6,97 por litro, abaixo dos R$ 7 pela primeira vez em quatro meses.