Corello dobra coleções e usa IA para abastecer lojas em tempo real

Corello dobra coleções e usa IA para abastecer lojas em tempo real

A Corello passou de 6 para 12 coleções por ano desde a pandemia âo dobro do ritmo de lançamentos de anos atrás. A aceleração, segundo o CEO, Felipe Silvarolli, é resposta direta à mudança de comportamento do consumidor no digital, que passou a exigir conteúdo e novidade constantes nas redes sociais.

Ele representa a 3ª geração dos Silvarolli no comando da Corello âsua mãe, Carla, está na presidência, enquanto Felipe está à frente das operações desde 2024. A irmã, Gabriela, toca a diretoria de marketing. O desafio é manter uma empresa familiar tradicional do varejo, moderna.

Para sustentar ciclos de coleção mais curtos sem perder margem com remarcações, a empresa passou a usar inteligência artificial para todo o abastecimento e realocação de produto entre lojas, com sugestões geradas a partir de dados de demanda em tempo real.

"Pensamos na marca como um ecossistema e a melhor forma dela atender o consumidor. Eu consigo ter uma complementaridade muito grande do e-commerce com uma loja fÃsica numa praça nova", afirma o executivo.

Macro apertado

O apetite por lançamentos rápidos, porém, esbarra num cenário macroeconômico apertado. Diante de juros elevados e do endividamento das famÃlias, a Corello projeta crescimento de 10% a 12% em 2026 âdesaceleração ante o ritmo dos últimos cinco anos. O orçamento do ano é fechado previamente em reuniões de conselho familiar.

O empresário minimiza o impacto de plataformas chinesas como Shein e AliExpress sobre o negócio. Na leitura dele, calçado é um produto mais artesanal e especÃfico do que vestuário âcategoria em que avalia que a concorrência asiática tem efeito mais forte. Ele cita a força do mercado calçadista brasileiro como uma vantagem contra as asiáticas.

Em relatório publicado em junho, a Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) cita a importação de produtos chineses como um desafio para o setor. O Ãndice de consumo aparente de sapatos, que soma a produção e importações menos exportações em pares, caiu 1,9%, segundo o levantamento da organização âque escreve que "boa parte do consumo interno foi abocanhado pelas importações de paÃses como China, Vietnã e Indonésia, que corresponderam a 80% do total.

Os principais desafios externos para o setor, no entanto, na visão da associação, são a queda do consumo na Argentina e as tarifas impostas pelos Estados Unidos às importações brasileiras.

Expansão

A estratégia de expansão segue baseada em lojas próprias âhoje são 28 pontos fÃsicos mais e-commerce, sem franquias. Para Silvarolli, esse modelo garante consistência de preço, atendimento e layout em todos os canais, além de permitir que o pedido on-line seja atendido pela loja fÃsica mais próxima do cliente, quando o estoque local permite, reduzindo prazo e custo de entrega frente ao envio via centro de distribuição.

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