
A Kalshi expandiu sua atuação na área de biotecnologia ao oferecer apostas sobre os resultados de testes clÃnicos e decisões regulatórias, dando aos operadores uma forma mais direta de apostar em eventos decisivos para o setor.
A plataforma de mercado de previsões afirma que a iniciativa permitirá aos investidores isolar eventos binários, como aprovações de medicamentos, do desempenho geral das ações de uma empresa.
Na noite de quarta-feira (15), a Kalshi lançou 13 contratos ligados à biotecnologia em parceria com a empresa de inteligência baseada em IA AppliedXL, incluindo apostas sobre a aprovação, por reguladores dos EUA, de medicamentos desenvolvidos por empresas como Sanofi e Gilead Sciences.
A biotecnologia é um segmento altamente especulativo do mercado, sujeito a fortes oscilações nas ações e elevado grau de incerteza. Embora a Kalshi e a concorrente Polymarket já tenham oferecido, no passado, contratos relacionados ao setor de saúde, a expansão faz parte do esforço contÃnuo da Kalshi para demonstrar que os mercados de previsões podem fornecer informações socialmente úteis, e não apenas servir como um canal para apostas esportivas.
A Bloomberg informou na quarta-feira que a Kalshi também estuda oferecer apostas sobre as taxas de cancelamento de voos em aeroportos especÃficos.
Embora os mercados de previsões sejam regulados pelo governo federal dos EUA, a grande maioria de seu volume de negociações vem de contratos ligados a esportes, acusados por alguns estados de violar leis sobre jogos de azar.
Até o momento, o setor de saúde representa um mercado relativamente pequeno para a Kalshi. Na última semana de junho, a plataforma registrou US$ 3,6 milhões (R$ 18,32 milhões) em negociações em todos os temas relacionados à ciência e tecnologia, enquanto os esportes movimentaram US$ 5,4 bilhões (R$ 27,47 bilhões), segundo dados compilados por usuários na Dune Analytics.
O desenvolvimento de medicamentos costuma ser marcado por informações fragmentadas, divulgação tardia de dados e comunicação corporativa otimista sobre os resultados dos testes clÃnicos. A Kalshi afirma que os dados gerados pelos mercados de previsões podem oferecer sinais mais claros aos investidores sobre a probabilidade de sucesso desses projetos, ajudando-os a tomar decisões mais bem fundamentadas.
Michael Selig, presidente da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), órgão que regula os mercados de previsões, também afirmou que contratos vinculados a testes clÃnicos podem servir como uma forma de pacientes que dependem de medicamentos protegerem-se contra futuros custos de tratamento.
Mas crÃticos afirmam que esse tipo de aposta cria incentivos para negociar com base em informações não públicas, com potencial para influenciar testes clÃnicos em andamento ou distorcer mercados com baixo volume de negociação. A Kalshi pretende usar verificação de vÃnculo empregatÃcio para monitorar casos de uso de informação privilegiada, de forma semelhante ao que já faz em outras apostas relacionadas a dados corporativos.
A empresa afirma que passou meses consultando médicos, pesquisadores da indústria farmacêutica, bioeticistas e outros especialistas antes de lançar a iniciativa voltada à biotecnologia. Entre eles estava Alpheus Bingham, ex-cientista da Eli Lilly, que ajudou a criar, no inÃcio dos anos 2000, um mercado interno de previsões para estimar as chances de sucesso de diferentes medicamentos e projetos de pesquisa.
O objetivo não era promover apostas, mas reunir o conhecimento disperso em diferentes áreas da empresa em uma única estimativa de probabilidade. Mais tarde, Bingham fundou a Innocentive, plataforma de inovação aberta e crowdsourcing que foi desmembrada da Lilly em 2005.
Anne Wojcicki, cofundadora da empresa de testes genéticos 23andMe, também contribuiu como consultora não remunerada. Em entrevista, Wojcicki afirmou que vê a iniciativa da Kalshi como uma ferramenta valiosa para os pacientes.
"Ela ajudará as pessoas a avaliar suas opções de tratamento de saúde" ao destacar quais testes clÃnicos têm maior potencial de sucesso, afirmou. Ao mesmo tempo, Wojcicki destacou que será necessário adotar salvaguardas flexÃveis para garantir que as apostas não afetem os resultados dos estudos, por exemplo, incentivando pacientes a abandonar testes clÃnicos com baixa expectativa de sucesso.
A Kalshi diz que não oferecerá contratos vinculados a estudos pediátricos nem a testes clÃnicos que ainda estejam recrutando participantes.