
A farmacêutica Eli Lilly anunciou a compra da desenvolvedora de medicamentos psicodélicos AtaiBeckley por até US$ 3,8 bilhões (R$ 19,42 bilhões), ampliando seus investimentos após o lucro obtido com o Mounjaro, usado contra obesidade.
De acordo com o anúncio dessa quinta-feira (16), a Eli Lilly deve pagar US$ 2,8 bilhões em dinheiro e mais US$ 1 bilhão caso determinadas metas seja atingidas.
A aquisição avalia a AtaiBeckley, presidida pelo bilionário alemão Christian Angermayer, com um prêmio em relação ao seu valor de mercado de quase US$ 2 bilhões no fechamento de quarta-feira (15).
A AtaiBeckley está entre as principais empresas de biotecnologia que utilizam psicodélicos para tratar depressão grave e ansiedade. Foi formada no ano passado pela fusão da Atai Life Sciences, uma plataforma de desenvolvimento de medicamentos para saúde mental fundada por Angermayer, e a Beckley Psytech, empresa britânica de biotecnologia psicodélica.
A empresa está estudando um spray nasal que utiliza o alucinógeno 5-MeO-DMT em ensaios de fase três com pacientes com depressão resistente ao tratamento. A biotecnologia também está estudando uma variante do MDMA, mais conhecido como a droga recreativa ecstasy, em ensaios de fase intermediária para tratar transtorno de ansiedade social.
O acordo marca o mais recente caso de um grande grupo farmacêutico comprando uma empresa de biotecnologia especializada em drogas que alteram a mente como tratamento de saúde mental, seguindo aquisições semelhantes feitas pela AbbVie e pela japonesa Otsuka.
"A depressão resistente ao tratamento persiste mesmo após múltiplos tratamentos terem falhado. Milhões de pessoas ainda estão em busca de alÃvio e precisam desesperadamente de uma terapia que funcione", afirmou Carole Ho, vice-presidente executiva e presidente da Lilly Neuroscience.
Empresas de biotecnologia focadas em psicodélicos têm se beneficiado de uma onda de interesse dos investidores devido ao apoio do movimento Make America Healthy Again (Tornar a América Saudável Novamente), defendido pelo secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr. Angermayer discursou em uma cúpula do Maha em novembro para promover sua empresa e os potenciais benefÃcios dos psicodélicos.
O presidente Donald Trump assinou em abril uma ordem executiva que levou a FDA (Food and Drug Administration) a acelerar as aprovações de medicamentos psicodélicos.
Angermayer continua sendo o maior investidor da empresa, detendo uma participação de 14,5% por meio de seu family office Apeiron Investment Group. Peter Thiel, cofundador do PayPal, co-liderou uma das primeiras rodadas de financiamento privado da Atai.
A aquisição é a mais recente de uma série de acordos da Eli Lilly este ano, enquanto a farmacêutica investe os lucros gerados pelos medicamentos para perda de peso e diabetes Zepbound e Mounjaro para impulsionar seu portfólio de pesquisa em estágio inicial.
Antes de lançar os medicamentos para perda de peso, que desde então impulsionaram sua capitalização de mercado para quase US$ 1,1 trilhão, a Eli Lilly já foi uma das principais farmacêuticas psiquiátricas, comercializando tratamentos para depressão incluindo Prozac e Cymbalta.
A Eli Lilly investiu cerca de US$ 28,8 bilhões (R$ 147,17 bilhões) em acordos de biotecnologia este ano, incluindo a aquisição de até US$ 7,8 bilhões da Centessa Pharmaceuticals, fabricante de medicamentos para distúrbios do sono, e a aquisição de até US$ 7 bilhões da Kelonia Therapeutics, empresa de biotecnologia oncológica.
Cerca de US$ 206 bilhões em acordos de biotecnologia foram fechados entre o inÃcio do ano e o inÃcio de julho, marcando o segundo inÃcio de ano mais movimentado da história, segundo a LSEG.